Penso, blogo... eis isto


Quatro patas, Duas pernas, Um só coração.

Certo dia, uma filhotinha de kuvasz veio ao meu encontro, ao encontro dos meus filhos, foi até minha esposa. Cheirou cada um de nós. Bateu a cabeça na mesa, tropeçou desajeitada. Era um bebê. Estávamos escolhendo uma companheira. Pelo menos, pensávamos assim. Ela nos escolheu. Cada um de nós. Viramos sua matilha e ela virou parte de nossa família.

A partir deste dia, eu pensei que tinha dado um cãozinho à minha família e a mim mesmo. Alguém com quem pudéssemos brincar, fazer companhia, trocar carinhos. Alguém a quem pudéssemos ensinar truques e se divertir com isso. E não foram poucos truques! Senta, salta, solta, larga, segura, busca, dá, espera, vai, vem, pra trás, pode comer, casinha, passear, entra, desce, sobe, sai, fora, deita, rola, relaxa, levanta, em pé, pata, junto, fica, quieta... Tudo isso e tudo mais que ensinasse. Ela ouvia sempre com olhinhos atentos e tentava entender o que estávamos explicando e simplesmente, aprendia. Minha filha se divertiu ao ensiná-la a escolher em que mão estava alguma coisa. Fechava as duas mãos, mostrava e perguntava "Cadê?" e a peluda batia a patinha numa das mãos.

A peludinha foi crescendo, crescendo, trocou os dentes de leite. Em um só dia, eu mesmo arranquei três numa brincadeira. Comeu quase todas as plantas e quinas de parede, pés de móveis etc. Não havia nada quadrado! Tudo estava arredondado pelos seus dentinhos. Até a casinha de madeira que fiz com o maior carinho, conforme ela ia crescendo, ia ampliando a porta até transformar a entrada numa enorme varanda. Quando a casa parecia um barraco de favela, troquei por uma mais resistente e que ela adorou (para dormir, não para morder).

A pequena cadelinha começou a transformar-se numa jovem, veio o primeiro cio, logo depois, a gravidez psicológica. Cavou um lindo ninho no jardim e lá se foram as plantas novamente. Chovia, lá estava ela olhando as nuvens com encanto. Ficar seca? Jamais, meu dono que me seque. Deixá-la enrolada na toalha? Lá está ela com a toalha na boca, na chuva. Lama? Maravilha. Cavocava e parecia que estava de meias marrons.

Passear? Palavra mágica. Ela sabia que ia caminhar muito. Literalmente, enchia o tanque. Cheguei a sentar ao seu lado para esperar acabar de beber. Ela não saía de casa sem estar devidamente hidratada. Aprendi a fazer o mesmo. E faça chuva ou faça sol, ela exigia o seu passeio diário. E quando batia a preguiça, a falta de tempo, a correria? Eu sempre poderia ter uma desculpa para não sair com ela. Às vezes, eu a decepcionei e deixei a preguiça me vencer. Mesmo assim, ela estava lá, disposta a sair, a brincar, a dar e receber carinho. Ela não era preguiçosa. Se eu voltasse do passeio e falasse de novo "Vamos passear?" ela simplesmente enchia o tanque de novo e dá-lhe caminhar.

Em tantos passeios, aprendi a não ter rotina. Não fazer sempre o mesmo caminho. Aprendi a ver detalhes na rua, a olhar em frente, não para baixo. Aprendi a assumir uma postura tranquila e ao mesmo tempo firme. Aprendi a olhar, ouvir e cheirar. Aprendi isso com ela. Um de nós tinha que passar segurança para o outro. Eu me mostrava líder e em troca ela enfrentava qualquer estranho com más intenções. Ela tinha uma percepção, um sexto sentido feminino canino, sei lá. Qualquer pessoa "do bem" tinha passe livre. Pessoas com má conduta, ou suspeita, ela deixava claro que não aceitaria contato.

A peluda foi fazendo parte da rotina da casa, não só minha rotina. Era nossa "cãopainha" que avisava, por incrível que pareça, quem estava chegando. Ela latia diferentemente para avisar da chegada de algumas pessoas. Seus diferentes latidos eram fáceis de entender. Ela se comunicava com os latidos e com o olhar. E estava sempre atenta! Alguns latidos podíamos ignorar. Outros, tínhamos que ir até o local porque era como um alarme que precisava ser desligado. Eu dizia "Já vi" e ela olhava pra mim como se dissesse "Sim, mas fui eu que vi primeiro e te chamei". Além disso, era super curiosa. Tão curiosa que acho que foi uma gata na encarnação passada.

Caminhávamos no mesmo ritmo. Meu passo é acelerado e ela acompanhava. Quando corríamos juntos, na subida ela ia na frente como se me dissesse "Anda seu molenga!" e era difícil manter o ritmo. Mas na descida, eu me vingava. Passava por ela e dizia "Vai! Corre agora, perna-de-pau!". Assim a gente levava nossos passeios. Fizemos muitas e muitas paradas para um xixizinho ou algo mais consistente. Nunca sem minha permissão. Tinha vez que ela mudava o ritmo como se me dissesse "Estou apertada!" ou simplesmente "Banheeeeiroooo" e corria para os locais mais do que escolhidos para fazer suas necessidades. Uma coisa curiosa e engraçada que acontecia era quando chovia. Ela se recusava a fazer xixi onde estivesse molhado! Sair na rua era hilário porque ela ia de ponta a ponta no quarteirão procurando um lugar seco. Quase saí com um pano e um rodo por causa disso. Cheguei a caminhar com ela sem guia. Sim, ela sabia onde ir. Se eu parasse, ela parava. Ela simplesmente, grudava em mim.

Nestes longos ou curtos passeios, também fizemos amigos. Sim, tinha o Billy, o Negão, o Bartô, a Pretinha, a Mel entre outros. Não sei o nome dos humanos e a minha cadela também não sabe o nome destes cães, mas a gente conversava, cada um à sua maneira. Mandona e dominante, nunca deixou algum deles se mostrar demais. Ela colocava todos com o rabinho entre as pernas. Se alguém perguntava pra mim "Ela morde", eu dizia "Ela tenta, mas as pessoas são mais rápidas que ela". Também fez inimigos "mortais" que se ela tivesse a oportunidade, faria picadinho. Gente que me ameaçava de alguma forma. Aprendi a olhar melhor as pessoas à minha volta.

Fomos passear na praia. As ondas viraram uma enorme incógnita. Ela não sabia se mordia, pulava ou corria. Chegou a fazer as três coisas ao mesmo tempo. Mas mesmo assim, divertiu-se bastante. Chegamos a pegar aqueles trânsitos loucos de volta de feriado. Ela no porta-malas pediu uma paradinha pro xixi após longas três horas de trânsito e que ainda ia durar mais um tanto. "Pode esperar?" Ela "disse" que não... então eu parei, por ela. E por mim, acabei esticando as pernas, relaxando os braços e ganhei também um fôlego extra para enfrentar o trânsito.

Ela só comia depois que você mandava. Na hora de comer, ela ia pra casinha e ficava esperando a gente colocar comida. Poderia colocar a comida na panelinha dela e sair andando. Ela esperava o "ok, pode comer". Certo dia, eu falei pra ela comer e entrei. Voltei uns 15 minutos depois e encontrei ela quase afogada em tanta baba olhando pra comida. Foi aí que me toquei que ela não tinha ouvido o meu "ok". Percebi que precisava ser mais claro com meus comandos e checar se tinha me entendido.

Passei por momentos tristes, senti dores, cansaço, stress etc. Tudo que qualquer humano pode ter. Tive nela um grande apoio. A disposição sempre foi seu forte. Aprendi a trocar com ela essa energia. Era como se ela me dissesse "Calma, vai passar, não esquenta. Vamos dar uma volta.". Ok, tinha um certo interesse dela nesta proposta. Mas o que pode ser melhor pra esfriar a cabeça do que dar uma volta??

Quando percebi, eu não tinha me dado uma cadelinha. Eu tinha me dado a uma cadelinha. Ela cuidou de mim, da minha casa, da minha família. Eu me entreguei pra que pudesse me mostrar como algumas coisas tão simples como pular as ondas do mar, ou tomar um banho de chuva são o que importa. Sair pra andar sem destino, curtir coisas novas, ser curioso. Ver alguém e ficar feliz, não guardar rancor, nem mágoas. Eu aprendi a sentir o que ela sentia. Tentei me tornar uma pessoa melhor, tentei confiar mais nos meus instintos. Aprendi a demonstrar quando estava feliz. Aprendi a ser claro quando queria alguma coisa. Aprendi a rosnar e afastar ameaças.

Juntos, nós vivemos uma vida muito curta. Cinco anos é muito pouco. Mas foi muito bom e muito intenso. Nada ficou por fazer. No dia 30 de maio, meu coração parou junto com o dela. Mas por ela deixar um pedacinho disto tudo dentro de mim, ele voltou a bater com muita força porque ela e eu somos um monstrinho de quatro patas, duas pernas e um só coração que vai continuar vivo por muito, muito tempo.



Escrito por Erik Momo às 18h57
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2370 dC

Estava chovendo mais uma vez. Não era uma chuva programada, mas daquelas que ainda aparecem sem aviso. Tanto se fez, tanto se tentou e a atmosfera continua igual... Totalmente agressiva.

Hoje, todos sairam sem as skins. O céu encoberto deixa sempre a possibilidade de nos vermos melhor. O dia exige muito mais de nossa percepção mas eu não tenho mais paciência pra isso. Ando de um lado a outro como se estivesse ocupado, como se tivesse um destino. Quando algum de nós localiza um ponto vago, desconecta. Cansei da simultaneidade de tudo. Mudo o foco, olho para o lado e procuro um desconhecido, mas sempre alguém está conectado a mim de alguma forma. O mundo não me pertence mais. Hoje somos apenas um elo de ligação. Somos uma massa disforme de relacionamentos. Sabemos tudo, mas ninguém se conhece.

Chuto uma poça d'água e isto ainda me fascina. O reflexo na água... As gotas fugindo, como se temessem o impacto, a gravidade trazendo tudo ao seu lugar. A Terra ordenando, soberana. Somos vermes passivos ante sua magnitude, somos incapazes. Somos todos vermes, parasitas. Eliminamos doenças, pragas e todo tipo de incômodo, mas a Terra nos mostra quem realmente somos. Nós é que somos vermes que vivemos em suas entranhas. E não temos cura.

O vento me devolve à realidade. Olho para o céu. A chuva se mistura às minhas lágrimas. Vejo sempre o mesmo. Uma mistura de luzes pálidas, rostos disformes. Sou eu? Estarei vendo o que realmente somos? Continuo andando e ignorando os contatos. Simulo uma conversa, solto monossilabos, estou ocupado. Estou em contato comigo. Ninguém percebe isto? Ninguém mais se percebe? Somos todos "o outro"? Quem é você? No vento, a resposta. O som, o frio, a força. Tudo me diz quem sou. Sou o nada. O vento me contorna, o frio me domina, a força me falta.

Não, obrigado. Um contato me toca. Está tudo bem. Sempre está. A monotonia nos tomou há séculos. Não temos fome, sede, frio, calor. Somos todos supridos por nossa massa disforme. Deixamos de ser o que sempre fomos. Deixamos os instintos, as lutas por poder, por espaço, por alimento. Deixamos nossas necessidades individuais pelo equilíbrio da massa. Somos coordenados, ajustados, corretos e totalmente disformes. Eu ou você, é o mesmo. Somos o nada que ocupa a Terra.

Havia muito medo. Sempre houve. Medo do fogo, medo da fome, medo de doenças, medo da morte. O único medo sensato, o medo da morte, do sofrimento. Hoje é a vida o que tememos. Guerras foram resolvidas, doenças eliminadas. Quem se importa? Com o quê se importar? Deixamos de ser humanos!

A chuva aumenta, o som me domina. Paro, ergo as mãos e deixo a água se acumular e escapar entre meus dedos. A música volta. Ela sempre volta. Somos dominados pelos sentimentos. Nossas vibrações e pensamentos viram música. Um antigo som humano ainda me conhece. Não sou vítima da massa. Estou desconectado. Sou eu mesmo. Esta música sabe o que sinto, expressa minha dor, mas ela é minha. Só eu a ouço. Só eu a entendo. Somos o par perfeito. Mais uma vez me sinto só e isso é bom. Compositores, músicos, instrumentos, tudo isso é arqueologia. Só a massa compõe. A massa sabe o que é bom para si. Sons foram matematizados, frequências estudadas, vibrações usadas para cura. Tudo perdeu a graça. Mas a minha música ainda me escolhe. Talvez eu ainda precise dela. Isto me conforta.

As ruas estão se esvaziando. A chuva vai parar. O céu vai nos expor ao sol. Meu tempo se esgota. Antes, as ruas ainda eram tomadas por carros. Depois da proibição da personalização dos sons, sabíamos que esse seria o resultado. Ninguém se desloca mais na superfície. Não faz mais sentido. A distância é sempre maior. Os subtúneis e os módulos nos levam direto ao ponto. Atravessamos, seguros e limpos em linha reta. Os carros antigos foram obrigados a ter sons para sinalizar a aproximação aos animais. Cada um começou a colocar seus próprios sons. A Gestão interveio como sempre. Em benefício da massa, mata-se o indivíduo. Deve fazer uns 40 ciclos. Nada mais se desloca na superfície. Os subtúneis em espiral atravessam todo o globo. Na Gestão dos antigos, toda a gravidade deveria ser aproveitada. A solução foi bem aceita. A atmosfera nos agride como se tivéssemos culpa. Furacões constantes, fontes de energia estável, mas impedem as trajetórias na troposfera. Faz 25 ou 30 ciclos? Não lembro e não aceito os inputs de memória. Gosto de esquecer. Quero ter minhas próprias lembranças, não as da massa. Por isso, desconecto.

Ainda duvido de tudo que sei. Não sei o que vivi. Não sei se vivi. Estou novo, bem, como todos. Nada temo. Minha vez não chegou. Será um prazer? Será que morrer me libertará? A morte ainda nos fascina. Mas não a quero. Deixe-a para o seu devido tempo. É longo este intervalo. O alerta sinaliza. Desçam. Ainda contemplo o céu quando sou levado. Fora da superfície. Reparam que eu estava desconectado. Indagam, não entendem. Estou errado, estou fora do padrão. Não sou parte da massa. Já nem me pertenço. Sou cercado como uma célula doente por anticorpos ávidos pela cura do organismo. Implacavelmente, sou contido. Uma célula doente... Sou levado... Serei curado? 



Escrito por Erik Momo às 00h08
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CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR/ELEITOR

Art. 37 - É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.

§ - É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.

OK... assistam o video. Desconsiderem Ronaldo Esper, Tirica, Marcelinho etc. Vamos focar no "Enéas"

Muito bem. Percebe-se claramente que o tal "Enéas" utiliza a barba, óculos, voz e até trilha sonora similar ao que o Dr.Enéas utilizava. Se ele fosse um produto e eu fosse um consumidor, claramente estaria confundindo os dois e teria comprado produto errado, se optasse pelo Dr.Enéas, já falecido. Para completar, o número 1956 leva o 56 que era do Dr.Enéas no Prona.

O Artigo 37 no parágrafo 1°, citado acima é muito claro de que é enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.

E propaganda enganosa é crime. Se uma empresa vende um produto através da indução de erro ao consumidor que, mesmo assim, ainda vai recolher impostos ao governo, comete um crime, o que dizer de um candidato que usa da mesma prática e ainda vai receber dinheiro de impostos? Seria então o Estado conivente com esta prática? O mesmo Estado que faz as leis e as faz cumprir aplica critérios diferentes.

Outra analogia simples é a de contratação de um empregado. Para qualquer vaga de emprego, avalia-se o curriculum, a experiência, a formação do candidato. Se constatada alguma informação falsa, o candidato é descartado. Se o candidato se apropria de certificados alheios ou identidade falsa, considera-se o que? Falsidade ideológica?

Não tenho conhecimento jurídico suficiente para "enquadrar" o elemento dentro da lei. Talvez ele tenha suficiente conhecimento (ou conhecidos) que o mantenham "legalmente" candidato. Mas nada deveria superar a ética e isto infelizmente é o que menos se vê na Propaganda Eleitoral.

Espero que um dia seja proibido fazer Propaganda Eleitoral. Assim não seríamos alvos (agora sim vamos juntar as pérolas todas do video) de partidos que se aproveitam de figuras públicas apenas maximizar votos, núteis, assim como é a capacidade do Tiririca de assumir um cargo de Deputado.

Sem Propaganda Eleitoral, não seríamos submetidos a estes processos enganosos. O eleitor ainda vota como assiste TV. Decoramos musiquinhas, bordões de campanha, simpatizamos com famosos. Escolhemos assim como quem escolhe um doce na padaria, com critérios totalmente subjetivos.

Infelizmente, um político é um "bem durável" que ficará "em casa" por quatro anos, sem garantia, sem direito de troca, sem assistência técnica e principalmente, sem um órgão do governo competente para nos proteger caso tenhamos sido enganados.

 



Escrito por Erik Momo às 01h02
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Feira "Internacional" da Kombi

Cena 1

Eu fui a uma feira de música em Frankfurt. Era caro ficar na cidade, fiquei em Lorsch. De Lorsch para Sinsheim, pegava um taxi (Mercedez-Benz a diesel) para poder pegar o trem para Frankfurt. O taxi era pontual, o trem mais ainda. Horário das 09:19, aparecia no começo da estação impreterivelmente às 09:18:30. Parava e saía no horário. Em Frankfurt, caminhava uns dez minutos da estação de trem até a feira. Dentro da feira, pavilhões enormes. Deslocamento entre os pavilhões com esteiras rolantes para agilizar. Feira com expositores do mundo todo.

Cena 2

Eu fui a uma feira de livros em São Paulo. Moro na cidade. Sem problemas de transporte, fui de carro. Trânsito no centro. Trânsito nos arredores. Estacionamento caro pelo que oferece. Público em filas desembarcando de fretados. Pessoas da "organização" gritando orientações de onde cada um deveria ir. Não havia placas. Entro, ambiente lotado. Corredores lotados. Balcão de informações pequeno e pouco eficiente. Concluo que há gente demais. Tomo um lanche em pé. Mesas sujas, chão sujo, cadeiras sujas. Levo meu lixo comigo. Procuro uma lixeira. Desisto. Minha consciência não deixa. Carrego mais um pouco até encontrar um local adequado para o descarte. Filas e filas pra tudo. Não vejo nenhum segurança. E se houver uma emergência? Quem vai evacuar este público em pânico? Consigo ver o que quero. Na saída, mais lixo, muito lixo. Quando acho alguma lixeira, está "camuflada" por tanto lixo. Mais fila na porta. Público esperando ônibus. Mais horas de fila.

O PORQUE DA KOMBI

A cena 1 se passa na Alemanha, país de primeiro mundo. Tem transporte, infra-estrutura, cultura e educação para sediar eventos internacionais. A cena 2 se passa no Brasil, em São Paulo, na maior metrópole do país, a mais preparada para eventos deste porte. Claro que não estou exigindo que São Paulo seja igual a Frankfurt porque a economia e toda a história dos dois países justificariam a situação atual das duas cidades.

O que acho absurdo é que a cena 1 ocorreu há 20 anos e a cena 2, na semana passada. E, infelizmente, há 20 anos vejo o Anhembi e todos os outros locais para exposições tratarem o público com a mesma "qualidade". Enquanto houver consumo deste porte, ninguém se importa. É igualzinho à antiga Kombi. Só fizeram alterações nela quando vieram os concorrentes, pois enquanto não havia alternativa para o consumidor, o modelo era idêntico e ficou parado no tempo.

Vamos encarar Olimpíadas e uma Copa do Mundo aqui? Obrigado, vou ali e já volto...



Escrito por Erik Momo às 15h05
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Prisão

É de onde vejo o horizonte.
Mas não o alcanço.
E de onde vejo as estrelas.
Mas não as toco.
É de onde vejo o mar.
Mas não o ouço.

É onde estou.
Mas não quem sou.

Sem barras, paredes, trancas.
Sem ferro ou concreto.
Talvez abstrato.

Minha prisão é o corpo.
Que flagela minha alma.



Escrito por Erik Momo às 00h53
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As faces da morte

Justa ou não... ela vem.

Cedo ou tarde... ela vem.

Sutil ou com alarde... ela vem.

A certeza é um conforto de que o acaso não é o fato, mas quando vai ocorrer.

Neste ano tive duas perdas. Minha sogra, com 79 anos, diabética, cardíaca, fazendo hemodiálise, quase sem visão, aposentada, com várias cirurgias feitas. Até a vesícula lhe extraíram antes de partir. Uma vida longa, cheia de altos e baixos. Enfim, descansou.

A outra perda ainda não digeri. E nem sei se vou. Perdi um amigo. Jovem. Garoto. Amigo do meu filho, um irmão. A primeira imagem que tive do Leo era um garotinho rebelde, chiando com a mãe. Parecia sem educação! A imagem ficou... o garoto foi crescendo, foi fazendo parte da minha família. Tornou-se um excelente amigo. Sonhador, de bem com a vida, brincalhão, bem humorado, ativo, cheio de planos. Colocava o meu filho, mais sossegado, pra agitar. Praticava tênis, saltou de para-quedas, aprendeu a dirigir, namorou. Durante alguns anos, batalhou contra o linfoma que lhe tirou a saúde aos poucos. Doença que veio sorrateira, mais ágil e rápida que pudéssemos acompanhar. Tirou suas forças, destruiu seu organismo. Ele, sempre o mesmo, continou vivendo, sonhando, fazendo planos e nunca se deixou abater. Nunca. A imagem que vai ficar, é do amigo, o "filho emprestado", e a força com que ele sempre lutou. Foi cedo, mas deixou uma grande lição pra mim:

Nunca deixar se abater.

Nunca.

A gente se vê no futuro... incerto, mas verdadeiro.



Escrito por Erik Momo às 18h14
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Quando eu morrer...

...coloquem meu nome em uma árvore.

Não quero ser nome de rua ou avenida, ponte ou passarela.

Coloquem meu nome em uma árvore.

Quero ser a sombra para os andarilhos,
sentir o sol e a chuva.

Quero ter flores na primavera,
e perder as folhas no outono.

Quero ser a morada dos pássaros,
e o refúgio dos gatos.

Quero ter raízes.
Quero fazer parte da terra e do ar.

Quando eu morrer, coloquem meu nome em uma árvore.

Quando eu morrer, quero apenas continuar a viver.



Escrito por Erik Momo às 16h45
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Sujeira X Limpeza

Vou provar que não existe limpeza. Ou, se preferirem, que não existe sujeira. Da na mesma...

 

O que é o pó? Pequenas partículas variadas. Pele, resíduos sólidos de poluição, restos de folhas... etc etc.

Ok, e o que acontece quando "limpamos" um móvel sujo? Ah... com um pano, pode ser? Claro...

A sujeira sai do móvel e
vai pro pano.

Sai do pano e
vai pra água.

Sai da água e
vai pro aterro.

Sai do aterro com o vento...
e volta pro móvel!!!

Provei?



Escrito por Erik Momo às 16h33
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VOU FICAR RICO!!!! (parte 1)

Toco um monte de instrumentos musicais. Sax, violino, piano, teclado, guitarra, bateria, campainha. Nada que sirva pra tocar na Sinfônica de Berlim, mas na Praça da Sé e um chapéu resolvem. Mas não vou ficar rico usando meus "dotes" musicais.

Domino a informática. Excel, web design, programação, uma série de inutilidades mais técnicas. Mas não vou ficar rico usando meus gates billianos.

Sou um artesão. Sei soldar, moldar metal, fundir, entalhar madeira. Dá até pra construir uns clarinetes... Nada que preste, mas vende pra burro. Também não vou enriquecer com os burros.

Faço pizza, entendo de cozinha, manipulação de alimentos, produção etc. Não que eu seja um "chefffff", mas não passo fome (sei até fazer Miojo). Mas não vou enriquecer matando nada (nem mesmo a fome de ninguém).

JÁ SEI COMO VOU FICAR RICO!!

Leio a Bíblia, decoro alguns versículos, trocar-me-ei por quaisquer cousa que os valhemos nos linguajares pífios dos hereges sacristãos. Gritar-EI NA SEGUNDA ENTIDADE DAS PLURARIDADES ONDE A VOZ... digo... ONDE HÁ VÓS?

E QUE AQUELE QUE NUNCA DEPOSITOU... QUE ATIRE A PRIMEIRA MOEDA!



Escrito por Erik Momo às 01h39
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Projeto FX2 versão 2.009 Be(s)ta

Eu sonho em voar um caça desde quando sei que sou capaz de lembrar o que é um sonho.

Cresci olhando pro céu. Cresci querendo sair pela janela como um pássaro.

A minha vez passou... Não entrei na FAB, fiquei "velho", mas não tão velho nem tão sucateado como nossa FAB.

Mas, continuei sonhando.

Aí, nossa velha FAB, com caças F5 voando "amarrados com arame" segundo palavras de um amigo ex-caçador, resolveu encarar esta guerra. Seria melhor que fosse uma situação bélica real e não esta guerrinha tosca para modernizar o que já está sucateado. Há limites para algumas coisas.

Não desprezo nossos caças, muito menos nossos caçadores. Sei o quanto se demanda de esforço para se galgar a tal posto, apesar dos salários ridículos a que são submetidos, são excelentes profissionais. Mais um item da guerrinha tosca é pagar salários aos servidores públicos. Deveria haver limites também aqui.

Eu lembro-me de um dia em que a mesquinharia tomou posse, depois de anos de enrosco, de guerrinhas, ou de uma longa trégua, não importa. Mesmo sendo piloto civil, sou brasileiro e nada mais me afeta neste sentido do que mexer no meu país e mexer nos meus sonhos. Primeira "coisa" a se fazer é parar de gastar. Obviamente, todos os projetos foram engavetados. Dito e mal feito.

Durante este tempo, reelegeu-se, zerou o Fome Zero, encheu a Bolsa "da" Família, deu dinheiro pro Evo, pro FMI, pra SI (leia-se o que bem quiser), comprou seu "próprio avião"...

Agora, quem sabe, sai esta porcaria de projeto do papel, ou vamos acabar dobrando o projeto e ver se ele voa sozinho pela janela.



Escrito por Erik Momo às 01h08
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Papo-cabeça, ou não?

- Ei!

- Eu?

- Não, você...

- Então... Eu? Pera... não to inteindeindo...

- Problema seu!

- Meu? Como assim? Que problema?

- Esse seu problema!

- Que problema????

- Você não tem problema? Todo mundo tem!

- Tá, mas o que tem "o meu problema"?

- Incomoda.

- Quem? Incomoda quem? Qual problema? Eu tava quieto aqui!!!!

- Tá vendo! O seu silêncio diz que há um problema...

- Pára com isso!

- Paro não... aliás, esse acento já morreu!

- Você quis dizer o "assunto já morreu"?

- Agora sim! Morreu.



Escrito por Erik Momo às 17h56
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Humorista

Sabe quando a carreira de um humorista está chegando ao final?

Quando finalmente começam a levá-lo a sério!



Escrito por Erik Momo às 00h01
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Isto faz sentido?

Eu compreendo as mulheres!!!!! Sim... agora eu já entendi como elas pensam.

Elas sempre têm razão por uma razão muito óbvia. O raciocínio feminino funciona "de trás pra frente".

Simples. Elas partem de uma conclusão "desejada" e traçam todas as alternativas possíveis que as poderiam levar a esta conclusão.

Não há exercício mental masculino que possa entender esta linha lógica. Mas, é exatamente isto que acontece. Por isso que as mulheres enlouquecem os homens e vice-versa.

Os homens pensam "de trás pra frente" de acordo com a lógica feminina. E que em virtude desta discrepância de sentidos, acabam sempre "mudando de assunto".

É claro que um vai enquanto o outro volta. E quando não se chocam, neste desencontro de sentidos opostos, nada faz sentido.

Como a mulher tem uma única resposta para várias perguntas (que ela faz ao homem) e ele tem várias respostas para a mesma pergunta...

...mais louco que tentar entender tudo isto é tentar entender isso tudo.



Escrito por Erik Momo às 15h46
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Dá uma ajuda...

- Moço, compa uma bala?

- Não, obrigado.

- Moço, compa uma bala pa me ajudá!

- Não! E eu estou te ajudando!

- Moço, dá um tocado! Leva uma bala! Me ajuda!

- Se te ajudar, não te ajudo, se não ajudar, ajudo. Entendeu?

- Moço... você qué um tocado??



Escrito por Erik Momo às 08h32
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lógica

eu vejo, então existe.

você não vê, então...



Escrito por Erik Momo às 00h41
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